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COVID-19 E SUAS VARIANTES

12 de fev. de 2022
4 min de leitura
uma recapitulação da origem e avanço da maior pandemia do século XXI

Desde a Gripe Espanhola, que afetou quase um terço da população mundial entre 1918 e 1920 levando a óbito em média de 100 milhões de pessoas, o mundo como um todo não conheceu outra catástrofe pandêmica desse tamanho. Até que em dezembro de 2019, o governo chinês anunciou o surgimento de um novo coronavírus, causador de uma série de casos de pneumonia na cidade de Wuhan, capital e maior cidade da província de Hubei na China. Essa nova descoberta, nomeada como Covid-19, se espalhou por cinco continentes, tendo seu primeiro caso confirmado no Brasil em fevereiro de 2020, e a primeira morte em março do mesmo ano.


Mas como essa nova versão de um vírus já conhecido teve tanto impacto a ponto de rapidamente se tornar uma emergência de saúde pública de interesse internacional? Primeiramente, já é confirmado que o Sars-CoV-2 (vírus da família coronavírus que causa a Covid-19) é mais contagioso do que outros coronavírus registrados. Isso se deve a inserção de quatro aminoácidos (compostos comuns a todos os seres vivos). O vírus atua como parasita que necessita se estabelecer em uma célula para que possa se replicar, e para isso, ele se liga a uma molécula em sua superfície, um receptor, que acaba levando o vírus para o interior da célula. Até aí, esse fato já é comum a todos os tipos de vírus que causam doenças, porém no caso do Sars-CoV-2, os quatro aminoácidos citados anteriormente são inseridos na proteína da espícula, a “coroa” do vírus, e especificamente essa sequência (Arginina, Arginina, Alanina, Arginina) não se encontram nas outras versões. Com base em vários estudos realizados com uma variante produzida em laboratório, foi confirmado que a presença desses quatro aminoácidos influencia a capacidade de infecção do vírus em células pulmonares.
Ao entrar no organismo, o Sars-CoV-2 se multiplica em áreas do sistema respiratório de forma silenciosa, fase chamada de pré-sintomática ou de incubação, onde mesmo não havendo sintomas, os indivíduos contaminados são capazes de infectar outras pessoas. O intervalo de tempo desde o momento da infecção até a manifestação dos primeiros sintomas varia de acordo com a pessoa infectada. Para o Sars-CoV-2, é dado um período médio de cinco dias, para se apresentar os primeiros sintomas, podendo claro, ter uma variação na quantidade de dias e ser necessária uma quarentena superior ao intervalo de 14 dias para a supervisionar se os sintomas irão aparecer.


E com uma transmissão extremamente fácil de ocorrer, ficou cada vez mais complicado controlar a doença. A transmissão ocorre principalmente de pessoa para pessoa na fase de incubação, tendo formas de contágio: por gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão ou até contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.
E assim, temos o surgimento da maior pandemia do século XXI. A potência de infecção que o vírus possui, junto com o completo descaso que houve por parte de nós, seres humanos, em relação a todas as instruções que a OMS (Organização Mundial de Saúde) informou desde o início da transmissão da doença em massa pelo mundo, fez com que mais de 5,78 milhões de mortes ocorressem até o momento que esse artigo foi publicado.
Hoje, mesmo com todo o problema que especificamente a Covid-19 causa ao redor do planeta, ainda temos que lutar contra os “descendentes” do vírus que reúne mutações distintas em comum, da qual conhecemos como as famosas variantes. Denominadas como “variantes de preocupação”, por serem comprovadas como transmissíveis e provocar versões mais graves da Covid-19, as novas cepas vem causando mais dores de cabeça e mais vítimas com o passar dos meses. A primeira identificada foi a variante Alfa, que surgiu no Reino Unido no mês de setembro de 2020. Ela possui ao todo 22 mutações e uma transmissibilidade de até 50% maior que as linhagens anteriores. Ela foi responsável pela segunda onda da pandemia nos países do Reino Unido e uma grande parte da Europa, além de virar a maior responsável por novos casos nos Estados Unidos no início de 2021.
Depois da Alfa, temos a próxima variante identificada, que possui algumas alterações comuns com a primeira: a variante Beta, caracterizada na África do Sul em dezembro de 2020. Apesar de não ser tão transmissível quanto a Alfa, ela é responsável por grande parte de reinfecção e aumento de mortalidade em indivíduos já hospitalizados, além de ter afetado cerca de 58 países.
Em seguida temos a descoberta da Gama no fim do ano de 2020, em solo brasileiro - em Manaus (AM) - que possui as mesmas mutações principais que a Beta, porém ela é mais transmissível, causando um grande caos entre março e abril de 2021. A próxima da lista, descoberta na Índia em outubro de 2020, a variante Delta possui mais de uma dúzia de mutações, possuindo duas mais importantes que fazem com que tenha uma maior facilidade em escapar de anticorpos e ter uma ligação a resposta imune. Possui um nível de 60% de transmissão e foi responsável por grandes surtos no Reino Unido que motivou alertas do governo britânico, além de causar a devastadora segunda onda na Índia.
E até o presente momento, a novata acrescentada na lista de variantes de preocupação em 26 de novembro de 2021 se chama Ômicron, detectada na África do Sul, e agora possui a coroa de variante mais transmissível da Covid-19. E para piorar ainda mais, cepas dessa variante foram descobertas em veados de cauda branca na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, que proporcionou uma grande preocupação para os estadunidenses com a possibilidade da espécie, que chega a 30 milhões no país, se tornar uma hospedeira desta nova cepa.
A situação atual requer ainda mais atenção, já que o número de casos de Covid-19 voltaram a crescer em diversos países. De acordo com um alerta feito pela Fiocruz, a pandemia ainda está acontecendo, mesmo com o avanço dos cientistas e da produção de vacinas. Por tanto, não podemos negligenciar os cuidados fundamentais de precaução, assim continuando a batalha pelo fim da pandemia.


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